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Processo de Produção do Vinho Imprimir E-mail

São várias etapas a serem percorridas para que você possa saborear um bom vinho. Do plantio das espécies ao primeiro gole, cabem tanto a enólogo quanto ao apreciador, observar detalhes importantes para que cada experiência seja única.

Pessoas pisoteando uvas é a primeira imagem que vem à mente de muitos quando o assunto é produção de vinhos. Mas, ainda que esta cena - a maceração da uva pelo pisoteamento - tenha de fato, no passado, feito parte do processo de vinificação, não é a única nem tão pouco a principal etapa da produção.

Na verdade, o processo de produção do vinho passa por diversas fases que são, cada uma, igualmente importantes, com algumas diferenças nas etapas de acordo com o tipo de vinho a ser produzido, seja tinto, branco, rose, espumante, suave.

Estas fases podem ser de modo geral divididas em fase do fruto; fase da transformação; fase da maturação; e fase da guarda e consumo.

Em cada uma destas fases, os cuidados com os detalhes são essenciais. Por exemplo, durante a fase do fruto, é importante que o produtor faça a poda correta da videira, cortando os ramos mais fracos e as raízes que estão mais próximas da superfície. Na fase do fruto, outro fator importante que deve ser observado em detalhes, é a qualidade do solo, que se traduz na presença de material orgânico no solo (certas bactérias podem destruir os frutos), além dos níveis de acidez e profundidade.

Ainda que fora do controle do produtor, o nível de insolação e a quantidade de chuva na época certa são fundamentais para que bons frutos sejam colhidos no final da safra, quando tem início a segunda fase: a de transformação.

A transformação da uva em vinho requer a observação de outros tantos detalhes importantes, a começar pela seleção dos melhores cachos que se segue pelo processo de limpeza das frutas e da manutenção da sua temperatura constante. De modo geral, para vinhos tintos, as uvas são desengaçadas e em seguida, prensadas (a antiga cena das uvas sendo pisoteadas).

Com a prensagem, vem a fermentação, que é o processo da conversão do açúcar das uvas em álcool. O ritmo e temperatura da fermentação são fundamentais para o processo de formação do vinho: quanto mais quente a fermentação, mesmo correndo-se o risco de haver perda de sabores e álcool por meio da evaporação, mais encorpado será o vinho. Quanto mais longa e arejada a fermentação, mais frutado será o vinho.

Mais uma vez o alcance das condições de consumo, bem como a qualidade desejada, depende da observação de vários detalhes por parte do enólogo, como manutenção da temperatura correta, contato com o ar e controle de oxigenação e presença de leveduras, que podem variar de acordo com o tipo de uva, ou corte (quando se utiliza mais de uma uva).

A fermentação do vinho dura de quatro dias a uma semana. De modo geral não há adição de outros produtos, além das próprias uvas e leveduras. Mas em alguns casos, pode haver maior intervenção no processo, adicionando-se açúcar ou mesmo forçando-se uma segunda fermentação.

Ao final da fermentação, começa a fase da maturação quando a mudança do vinho ocorre de forma lenta e “silenciosa”. O vinho pode ser armazenado em tonéis de madeira (geralmente carvalho francês, americano ou húngaro) onde irá descansar por até 36 meses. Esta fase tende a dar mais equilíbrio ao vinho e a interação com a madeira irá lhe conferir novos sabores e aromas. A maturação é complementada por mais uma etapa, a de descanso do vinho nas garrafas na quais seguirá para o mercado, a partir de quando a guarda assume o papel principal. Novamente os detalhes continuam a ser importantes: temperatura, umidade, posição, iluminação...

Por fim, alguns meses ou mesmo anos depois das uvas serem maceradas é que o vinho será consumido. Esta por si só, que pode ser vista como uma fase importante (e para muitos a que importa); neste momento vale dar atenção para a respiração, decantação, forma de servir, escolha da taça e a harmonização - mais detalhes que podem transformar o vinho e oferecer uma experiência única para todo apreciador de um bom vinho.

Descrito aqui em uma página parece fácil! E de fato não é nada muito complicado. A Natureza é que faz grande parte do trabalho.  Mas há por trás disso muito mais do que o descrito nos livros e aprendido nas escolas. Para conhecer mais, há uma serie de publicações sobre o tema, mas também vale a pena conhecer uma vinícola e passar por lá algumas horas conversando com o enólogo responsável. Aliás, nesta conversa você irá perceber que, antes de elaboradas técnicas, o produtor transmite ao cultivo e produção muita dedicação, atenção e respeito o que dá ao vinho sua personalidade e alma. Em alguns países e vinícolas é possível inclusive participar do processo. Claro que não será na produção de um Pingus2, St Augustin ou Chateau Lafitte, mas você terá uma boa ideia do que é o processo e o que está por trás de um bom vinho além do que está escrito nos livros.

 
 

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