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Da uva ao vinho Imprimir E-mail

São inúmeras as espécies de uvas e ainda maior a variedade de vinhos produzidos. Para quem está começando a conhecer este fascinante universo ou para quem já aprecia e quer rever as várias formas de classificar uvas e vinhos, este texto promete organizar de forma simples e rápida informações básicas sobre as diferentes cepas e produtos.

 



Tintos, brancos, rosés, espumantes e fortificados – estes são os cinco tipos distintos de vinhos conhecidos em todo o mundo. Porém, vale lembrar que em Portugal há o vinho verde (que pode ser tinto ou branco), considerado uma categoria a parte por causa de seu alto grau de acidez.

Cada um destes tipos requer um processo de vinificação próprio. Os vinhos tintos, por exemplo, são produzidos com uvas tintas. Já os vinhos brancos são feitos com uvas brancas ou ainda com uvas tintas descascadas e de polpa não tintureira (as tintureiras tem polpa com pigmentos). Os vinhos rosés, por sua vez, podem ser produzidos tanto com a mistura de vinho tinto e branco ou pela diminuição do tempo de contato do mosto com as cascas (maceração) durante a vinificação do vinho tinto. O espumante passa por duas fermentações alcoólicas que podem acontecer tanto na garrafa - método tradicional, chamado champenoise – ou em autoclaves, o chamado charmat. A fermentação do espumante, seja pelo método champenoise ou charmat, acontece em recipiente fechado, o que provoca a incorporação do dióxido de carbono ao líquido, produzindo assim a pérlage (borbulhas). O mais famoso espumante é o Champagne, mas existem outros como Cava (espanhol) e o Prosecco (italiano). Existe ainda o método Asti que é uma variação do Charmat. A título de curiosidade, o Lambrusco é um frisante.


 

Os portugueses Vinho do Porto e Madeira, o espanhol Xerez e ainda e o siciliano Marsala são exemplos dos chamados vinhos fortificados, licorosos ou generosos. Para a sua produção adiciona-se aguardente. Se esta adição ocorrer durante a fermentação, o resultado será um vinho doce devido à interrupção deste processo e assim permanece um açúcar residual. Caso seja após a fermentação, o resultado é vinho seco como alguns tipos de Xerez.


Mas estas não são as únicas formas de classificação dos vinhos. Alguns países e regiões específicas criaram regras para as suas produções que, de forma geral, determinam o nível de qualidade e suas denominações de origem. Na Itália, por exemplo, existem os “Vinos da Tavola”, “Indicazione Geografica Tipica (IGT)”, “Vini Tipici”, “Denominazione di Origine Controllata (DOC)” e “Denominazione di Origine Controllata e Garantita” (DOCG). Na França, tem os “Vin de Table“,“Vin de Pays“,“Vin Délimité de Qualité Superieur (VDQS) “ e “Apellation de Origine Contrôllé (AOC) “.


Dentro das denominações de origem (D.O.s), podem existir outras subdivisões, como por exemplo, na Espanha, em que a DOCa Rioja define 3 níveis para os tintos: Crianza (24 meses de envelhecimento, com no mínimo 12 meses em barricas de carvalho de 330 litros), Reserva (total de 36 meses, sendo 12 em barrica) e Gran Reserva (5 anos, com no mínimo 2 anos em barrica). Em Bordeaux, na França, baseada em uma classificação de qualidade de 1855, alguns Chateaus foram definidos como Grand Cru Classe (Primeur, Deuxièmes, Troisièmes, Quatrièmes, Cinquièmes). Os vinhos ainda podem ser de outras categorias como Reserva ou Superior.


No Brasil os vinhos são classificados quanto à classe, categoria que se refere à graduação alcóolica, à cor, teor de açúcar e variedade de uva.


Os chamados “Vinhos de mesa” são os vinhos com teor alcoólico entre 5,5% e 16,5% (no Brasil entre 8,6% e 14%). Sem adição de gás carbônico, possuem a designação de tranquilos.


O grau de açúcar também divide os vinhos. No caso de vinhos tranquilos, encontramos os seco (sem açúcar), meio-seco , meio-doce e doce. Já nos espumantes, a divisão é extra-brut (sem açúcar), brut, sec, demi-sec e doux. Vinhos tranquilos doces também podem ser chamados de vinhos de sobremesa. Por curiosidade, nesta categoria encontra-se um dos vinhos mais famosos do mundo, o Chateau D`Yquem, da região de vinhos de sobremesa Sauternes.


A variedade de uvas é de fato grande. Na maioria das vezes, os vinhos são produzidos a partir de castas Vitis vinífera – os chamados finos. Os vinhos feitos de outras uvas, como a Isabel, Niagara e Bordo são conhecidos como vinhos coloniais ou de garrafão. Algumas poucas uvas vitiviníferas são conhecidas do público em geral, pois existem centenas deste tipo para uso comercial. Cabernet Sauvignon, Nebiollo, Malbec, Pinot Noir, Tempranillo são algumas das mais notórias.

 

A utilização de uma destas variedades de uvas de forma predominante (por volta de 75 a 85%), resulta no vinho varietal, também chamado monocasta. Mas existem também vinhos que são produzidos a partir de duas ou mais cepas na sua composição, os chamados de corte, assemblage ou blends.


As principais regiões produtoras do velho mundo utilizam as cepas que melhor se adaptaram ao seu terroir. Existem casos em que os vinhos de tal região se compõem de vários tipos de uvas, enquanto que outras utilizam somente uma. Por exemplo, as regiões de Bordeaux e Douro utilizam vários tipos de uvas, enquanto que Borgonha e Barolo utilizam somente uma.


Nos países produtores do novo mundo (principalmente EUA, Chile, África do Sul e Austrália), o rótulo das garrafas, na grande maioria das vezes, ostenta as uvas utilizadas na produção daquele vinho. Assim, estes vinhos passaram a ser designados varietais, por deixar claro as variedades das cepas.

 

 
 

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